Alertando para a necessidade de continuar a investir na comunidade, Carlos Reis, proprietário de terrenos na lagoa, afirma que “se esta Lagoa desaparecesse, iria sentir muito a sua falta”. A lagoa é a maior lagoa natural da Península Ibérica e uma das principais zonas húmidas da região Centro de Portugal, trazendo benefícios ambientais, sociais e económicos à região onde se localiza.
Em conversa com a chefe de Divisão da Sustentabilidade, Turismo e Ação Climática da Câmara Municipal de Águeda (CMA), Célia Laranjeira disse que “as redes de esgotos e infraestruturas do mesmo género em Águeda não estão preparadas para as alterações climáticas, uma vez que não foram construídas tendo em conta os impactos das mesmas”. Após as últimas cheias deste ano, a água subiu cerca de cinco metros, quando normalmente se regista entre três e quatro. As águas inundaram os terrenos nas margens, estragaram painéis informativos e ainda

Vários jacintos suspensos nos ramos de um salgueiro devido as cheias.
o primeiro andar de um hotel localizado numa das margens da Lagoa, deixando janelas partidas e danificando o seu interior. No dia 8 de fevereiro, o Governo decidiu prolongar o estado de calamidade em Águeda. No local, Célia Laranjeira apontou para jacintos suspensos, fora de água, nos ramos de um salgueiro na margem, que ali ficaram devido à subida do nível da água.
Janeiro de 2001 foi outro mês marcado por catástrofes, quando uma vaga de inundações se fez sentir no centro da cidade de Águeda e cortou os acessos ao quartel de bombeiros e a metade da Rua Luís de Camões. É natural haver cheias no leito das margens da Lagoa da Pateira de Fermentelos, mas, com o tempo, tendem a tornar-se mais intensas, prolongadas e frequentes.
Em paralelo, a CMA está preocupada em controlar as espécies invasoras, nomeadamente o jacinto-de-água, a fim de proteger as espécies autóctones presentes na lagoa. De momento, são usadas ceifeiras aquáticas para remover esta espécie de forma mecânica, pois métodos químicos ou de controlo biológico podem ter impactos negativos nas espécies nativas. As geadas de inverno contribuem também para reduzir a presença desta planta.

Carlos Reis, proprietário local e morador da freguesia de Fermentelos
Um morador da freguesia de Fermentelos, Carlos Reis, defende que, para dinamizar o turismo na zona, “podia-se desenvolver atividades de lazer tais como campos de golfe, ténis e piscinas artificiais”. Carlos possui um terreno na margem da lagoa, herdado da família, que limpa frequentemente, assim como os dos vizinhos, mas “não consegue deitar a mão a tudo sozinho”. Neste sentido, Célia Laranjeira afirma que “é imprescindível o ordenamento e reordenamento do território, a engenharia, o planeamento e a arquitetura”, salientando que as medidas previstas são sobretudo de minimização e não de prevenção, já que as cheias são um fenómeno natural.
Ao longo dos últimos anos, a CMA tem destacado a sua postura no âmbito da sustentabilidade. Célia Laranjeira afirma que “a sustentabilidade não é só controlar a Natureza: é respeitá-la e compreendê-la” e reforça a importância da “salvaguarda dos recursos e valores naturais”. A responsável acrescenta que “muitas vezes as pessoas, quando verificam algo negativo no ambiente da Lagoa, publicam primeiro nas redes sociais em vez de comunicar de imediato à CMA”. Defende ainda que “o jornalismo ambiental deve ser consciente, através da sinergia da população e de projetos que associem os jovens ao cuidado da Natureza”.
É relevante assegurar a continuidade da remoção dos jacintos, a limpeza dos terrenos e a dinamização de atividades como pesca e canoagem. Defende-se ainda a expansão de roteiros, como o trilho da arte urbana, e trilhos, tais como o trilho do poço, a recuperação de infraestruturas, construções de soluções de base natural para os taludes de leito e margem e o reforço de parcerias com instituições com intervenção no terreno. Os problemas identificados colocam desafios que exigem soluções adaptadas à realidade atual. Com o envolvimento da comunidade e da CMA, espécies que coexistiram no passado na lagoa, como o moliço, o bono e a maliza, poderão regressar.

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