
Centro de Interpretação do Rio, onde se podem observar espécies autóctones e invasoras do rio Águeda.
O Centro de Interpretação do Rio, que se situa à beira do Rio Águeda, é um espaço de sensibilização, proteção e, sobretudo, capacitação acerca das espécies do rio. No passado, era um centro de canoagem abandonado, que com o apoio do Município de Águeda e colaboração do projeto LIFE Águeda, foi reabilitado e transformado num centro de interpretação.
O Projeto LIFE Águeda é um projeto de âmbito europeu que financia intervenções ambientais focadas na valorização local e na proteção de espécies migradoras. A sua ação tem sido determinante na transformação e recuperação da rede hidrográfica do concelho. Este projeto visa promover o restauro ecológico dos habitats aquáticos e terrestres e contribui para o restabelecimento da biodiversidade aquática, nomeadamente dos peixes migradores. Foi ainda importante para a remoção de obstáculos (como açudes), a implementação de passagens para peixes e o controlo de espécies exóticas e invasoras.
O Rio Águeda é um dos principais afluentes do Rio Vouga, percorrendo cerca de 40 km no município de Águeda. Historicamente, teve grande importância social e económica, na medida em que foi um local de convívio e trocas comerciais; um espaço onde as mulheres lavavam a roupa; uma piscina fluvial e possibilitava a rega agrícola através de duas noras. Atualmente, o rio continua a ser estruturante para o território, quer do ponto de vista ecológico quer turístico.
Espécies invasoras são plantas ou animais provenientes de outras regiões, que crescem e reproduzem-se muito rapidamente, sendo vorazes, isto é, competem com outras espécies, prejudicando o equilíbrio do ecossistema. O Centro de Interpretação do Rio promove ações de sensibilização ambiental que alertam para os impactos das espécies invasoras e para as consequências que a sua presença pode ter no equilíbrio dos ecossistemas. Entre os exemplos de fauna invasora destaca-se o caso do Lagostim-vermelho-do-Louisiana (Procambarus clarkii), espécie exótica nativa do nordeste do México e do centro e sul dos EUA. Outro caso é a Perca-Sol (Lepomis gibbosus), espécie nativa da América do Norte, que se alimenta dos ovos de outras espécies de peixes, sendo considerada uma uma espécie invasora agressiva em muitos ecossistemas.

Pateira de Fermentelos – ceifeiras aquáticas, máquinas que permitem a remoção mecânica do Jacinto-de-água.
Relativamente à flora, o Jacinto-de-água (Eichhornia crassipes), é uma espécie invasora introduzida pelo Homem na Pateira de Fermentelos devido à beleza das suas flores roxas. No entanto, esta espécie revelou-se altamente invasora, dado o seu potencial de proliferação, que forma tapetes densos à superfície da água, impede a entrada de luz solar, reduz os níveis de oxigénio e compromete a biodiversidade num processo conhecido como eutrofização, constituindo um dos principais desafios ambientais. Para combater este problema, são utilizadas ceifeiras aquáticas, máquinas que permitem a remoção mecânica desta espécie, contribuindo para a recuperação do equilíbrio ecológico do ecossistema.
A presença do Jacinto-de-água é abundante na Pateira de Fermentelos, que é considerada a maior lagoa natural da Península Ibérica. Localizada entre Águeda, Aveiro e Oliveira do Bairro, constitui um ecossistema de elevada biodiversidade e um importante destino de turismo de natureza.
Ao articular conservação ecológica, educação e valorização do património natural, o centro assume-se como um elemento transformador da rede hidrográfica de Águeda, contribuindo para a construção de um município ambientalmente consciente, resiliente e sustentável.

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