No último mês, os habitantes de várias regiões do país têm assistido a uma alteração drástica na cor e qualidade dos rios. Estas chuvas intensas, ao arrastarem detritos e contaminantes para as linhas de água, modificam o equilíbrio químico e preocupam ambientalistas e populações locais.
A principal questão que se coloca é: até que ponto a poluição pós-tempestade representa uma ameaça irreversível para a biodiversidade aquática?
Embora a chuva seja essencial para o ciclo hidrológico, os especialistas alertam para os riscos ecológicos associados ao arrasto de poluentes que ocorre durante fenómenos meteorológicos extremos.
Impactos ambientais e contaminação:
A água da chuva é um agente de transporte extremamente eficaz, o que lhe permite arrastar resíduos urbanos, microplásticos e químicos agrícolas diretamente para os rios. Quando o volume de água excede a capacidade das ETAR, ocorrem descargas de águas residuais sem tratamento. Estas descargas libertam substâncias que dificultam a oxigenação da água, reduzindo drasticamente a biodiversidade. Além disso, a presença de nutrientes em excesso, como o azoto e o fósforo, pode levar à proliferação de algas tóxicas.
Nas margens de muitos rios portugueses, áreas que deveriam ser refúgios de fauna autóctone foram invadidas por lixo e lamas contaminadas.
Medidas de controlo de desafios:
O controlo da poluição hídrica exige intervenções constantes, como a limpeza de margens e a modernização das redes de saneamento, mas estas medidas são dispendiosas e nem sempre acompanham a frequência das tempestades. Em algumas regiões de Portugal, têm sido testadas barreiras de retenção de sólidos e sistemas de filtragem natural, mas a solução definitiva para a poluição difusa ainda não foi encontrada.
As autoridades locais e organizações ambientais têm debatido estratégias para lidar com este problema. Enquanto alguns defendem o investimento em infraestruturas de retenção pluvial, outros alertam para a necessidade de mudar as práticas agrícolas e industriais para evitar que os poluentes cheguem sequer ao solo.
O futuro dos rios em Portugal:
A questão que permanece é: será possível conviver com o aumento de fenómenos extremos sem comprometer a qualidade da nossa água? A gestão responsável das bacias hidrográficas é um desafio essencial para garantir a sustentabilidade de recursos hídricos em Portugal.
Se não houver um esforço coordenado para equilibrar o desenvolvimento urbano com a proteção dos ecossistemas aquáticos, poderemos estar apenas a assistir à degradação de um bem essencial para uma gestão hídrica ineficaz. A saúde dos nossos rios depende da nossa capacidade de agir.
