Verão à vista, Planeta em colapso!

O calor regressa, o sol ganha força e o verão instala‑se. Mas, por trás da época mais aguardada do ano, esconde‑se também um dos períodos mais prejudiciais para o ambiente. Entre praias sobrecarregadas de lixo, festivais que geram toneladas de resíduos e estradas congestionadas rumo às férias, os meses de julho e agosto representam um custo ambiental que muitos ignoram.

Praias sob pressão

Portugal orgulha‑se de ter algumas das praias mais bonitas da Europa. No entanto, sob a paisagem idílica, acumula‑se um problema crescente: o lixo. Durante todo o ano existem resíduos nas zonas costeiras, mas no verão a sua quantidade dispara.

De acordo com a organização Ocean Conservancy, os plásticos de uso único — copos, palhinhas, embalagens de snacks, entre outros — representam a maior fatia dos detritos recolhidos nas praias em todo o mundo. Em Portugal, várias associações promovem regularmente ações de limpeza costeira abertas à população, mas nem isso impede que o problema avance mar adentro, onde os resíduos se fragmentam em microplásticos que afetam milhares de espécies marinhas.

Festivais: diversão que deixa marcas

O verão português é também sinónimo de grandes festivais — NOS Alive, Super Bock Super Rock, Rock in Rio — que, ao longo de poucas semanas, recebem centenas de milhares de visitantes. A festa, porém, deixa uma pegada ambiental significativa. Para além de latas, garrafas e embalagens, acumulam‑se ainda carregadores, auscultadores e outros equipamentos danificados que raramente são colocados nos locais adequados.

Face ao impacto crescente, algumas organizações começaram a implementar medidas mais sustentáveis. O NOS Alive e o Super Bock Super Rock adotaram sistemas de copos reutilizáveis e reforçaram a instalação de ecopontos nos recintos. Um exemplo ainda mais avançado é o Boom Festival, em Idanha‑a‑Nova, já distinguido por oito vezes com o prémio internacional Greener Festival Award pelas suas práticas ambientais.

Jovens: parte do problema, chave da solução

Os jovens assumem um papel central nesta equação. São eles que marcam presença massiva nos festivais, que frequentam as praias em grupo, que fazem viagens constantes e que muitas vezes alimentam a lógica da fast fashion estival — roupas compradas para poucas utilizações e descartadas rapidamente.

Nas zonas costeiras, nos eventos e nas cidades, esta faixa etária é a mais presente e, consequentemente, aquela cujos hábitos coletivos mais impactam o ambiente durante o verão. Não por intenção, mas por falta de consciência sobre o peso real de cada escolha.

Um verão demasiado caro para o planeta Terra!

Ano após ano, os meses de verão registam picos de poluição, aumento de resíduos nas áreas costeiras, degradação de ecossistemas marinhos e emissões de carbono acima da média. O turismo em massa, a cultura do descartável e os grandes eventos transformaram esta estação num desafio ambiental crítico.

O verão continuará a chegar, como sempre. A grande incógnita é perceber até quando o planeta conseguirá suportar o custo da nossa estação favorita.