No auditório da EB 2,3 Dr. Francisco Sanches decorreu uma palestra do Eco-escolas, focada na desconstrução do mito de que a polinização é um exclusivo da abelha melífera (Apis mellifera). Foi revelada uma “armada invisível” que sustenta os ecossistemas portugueses, composta por espécies de abelhas solitárias, borboletas, vespas, escaravelhos e moscas-das-flores (sirfídeos). Durante a palestra foi revelado que, em Portugal, o trabalho gratuito destes insetos é responsável por viabilizar mais de metade dos produtos agrícolas, gerando um valor económico anual superior a 2 mil milhões de euros.
A componente prática da sessão permitiu aos alunos observar o mundo através da luz ultravioleta (UV), simulando a visão das abelhas e descobrindo os mecanismos de atração que as flores utilizam, bem como ver várias espécies de polinizadores. Esta abordagem de comunicação científica foi crucial para desmistificar preconceitos sobre insetos, frequentemente vistos como “pragas” ou ameaças, quando são, segundo o ecólogo presente, essenciais para a reprodução de 75% das plantas com flor.
O ecólogo presente alertou para o perigo da poluição, o uso indiscriminado de pesticidas e a perda de habitat por agricultura intensiva estão a levar estas espécies a um declínio perigoso. Para contrariar esta tendência, a escola foi incentivada a passar da teoria à prática criando um “Cantinho das Melíferas”, promovendo a sementeira de espécies autóctones como o funcho, o calêndula ou o trevo, fundamentais para o suporte de vida destes animais no meio urbano.

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