Os plásticos tradicionais revelam-se como altamente poluentes, não só depois da sua utilização, mas também durante as fases de extração e de processamento. A maioria destes materiais são produzidos a partir do petróleo, um recurso não renovável, cuja extração provoca a degradação dos ecossistemas, emissões de gases com efeito de estufa e riscos de contaminação do solo e da água, contribuindo para o agravamento das alterações climáticas. Após a sua utilização, muitos plásticos não são corretamente reciclados e acabam por ser libertados no ambiente, acabando muitas vezes nos oceanos. Estes constituem um grave problema ambiental porque não se degradam facilmente na natureza, podendo permanecer no ambiente por centenas de anos. Os plásticos, ao acumularem-se nos oceanos, rios e solos, causam danos aos ecossistemas e à biodiversidade, afetando os animais que os ingerem ou ficam presos nesses mesmos resíduos. Com o tempo, fragmentam-se em microplásticos, que entram na cadeia alimentar e podem representar riscos para a saúde humana.
No âmbito do estudo sobre alternativas sustentáveis aos plásticos tradicionais, os alunos realizaram uma experiência de produção de bioplásticos caseiros, nas aulas de Biologia. O principal objetivo foi compreender como a biotecnologia pode ser aplicada na criação de materiais biodegradáveis, utilizando amido de milho, água, vinagre e glicerina, e avaliar como diferentes proporções e condições de preparação influenciam as propriedades finais do material.Foram realizadas três experiências, mantendo-se o método experimental, mas ajustando-se as quantidades dos reagentes e as condições de armazenamento. Apenas na terceira experiência foi conseguido um procedimento que permitiu um arrefecimento gradual, evitando retrações bruscas e conduziu à obtenção de um bioplástico flexível, fino e homogéneo. O material final não aderiu às superfícies utilizadas, demonstrando que a escolha de suportes antiaderentes é crucial para a formação do bioplástico, tal como o processo de secagem. Produzido a partir de matérias-primas biodegradáveis e através de ajustes experimentais, foi possível criar um material funcional a diferentes necessidades.
De forma geral, a experiência evidenciou que a produção de bioplásticos caseiros depende do controlo das proporções dos reagentes, das condições de secagem e do tipo de superfície utilizada. Com alguns ajustes na experiência, conseguimos criar um material funcional e biodegradável, que pode ser uma alternativa aos plásticos tradicionais, como por exemplo para plastificar embalagens ou isolar recipientes, sendo uma boa alternativa à utilização da tradicional película aderente. Esta experiência demonstra de forma concreta como é possível enfrentar o problema do consumo excessivo de plásticos convencionais, oferecendo uma alternativa sustentável e que não prejudica a saúde dos utilizadores nem de terceiros.
Este bioplástico contribui para reduzir a dependência de recursos não renováveis, como o petróleo, e apresenta uma degradação mais rápida no ambiente. Assim, diminui a acumulação de resíduos e a formação de microplásticos, desempenhando um papel ativo na preservação dos ecossistemas.
O projeto desenvolvido demonstra que a verdadeira ciência pode começar na sala de aula e ter impacto real na forma como encaramos os problemas ambientais. A produção destes bioplásticos caseiros mostra que é possível criar alternativas mais sustentáveis aos plásticos tradicionais. Esta experiência tem também o objetivo de consciencialização ambiental, de forma a incentivar os jovens a pensar de forma mais responsável sobre o futuro do planeta e o papel que cada um pode desempenhar na proteção do ambiente.
