A laranja do Vale do Tua é conhecida pela sua elevada qualidade. Este produto local é produzido em pouca quantidade, no âmbito de uma agricultura sustentável e biológica. Devido a estes fatores e também ao clima favorável desta região, esta laranja apresenta um sabor único.
Atualmente, a presença de uma praga está a afetar as laranjeiras do Vale do Tua. A laranja é picada por um inseto, apodrece e acaba por cair. Esta situação, que para os agricultores é uma novidade, está a gerar preocupação pois provoca uma redução na produção deste fruto.
A laranja do Vale do Tua
O rio Tua é formado pela junção dos rios Tuela e Rabaçal e é um dos maiores afluentes do rio Douro. Desde a povoação do Cachão até à sua foz no rio Douro, caracteriza-se por ter um vale apertado e escarpado.

O xisto é a rocha dominante na geologia deste vale, onde também existem algumas rochas graníticas. A flora e vegetação são mediterrâneas.
As culturas agrícolas dominantes são a vinha, o olival, o amendoal e o laranjal, quase sempre plantadas nos característicos patamares da região duriense.

Laranjais inseridos na paisagem do Vale do Tua
Qual a origem desta doença?
Tudo indica que esta praga é causada pela picada de um inseto, chamado mosca-do-mediterrâneo (Ceratitis capitata). Este inseto tem uma metamorfose completa, pelo que, o seu ciclo de vida compreende 4 fases; ovo, larva, pupa e adulto. O ciclo evolutivo da mosca está muito dependente da temperatura e da humidade, sendo que a sua população atinge o seu valor máximo até ao final do Verão e início do Outono. No início do Inverno ocorre uma diminuição desta população principalmente se os Invernos forem frios.
Fonte: Direção Regional de Agricultura e pesca do Algarve
Como é que a mosca atua?
A picada é efetuada pela fêmea na ovoposição que deixa uma mancha amarela no fruto, esta mancha vai aumentando e torna-se castanha. De seguida a polpa amolece e decompõe-se em virtude do ataque das larvas. A “ferida” é uma porta de entrada para fungos e outros microorganismos que iniciam a decomposição. As larvas alimentam-se da polpa do fruto e a fruta acaba por cair ao chão.
Fonte: Direção Regional de Agricultura e Pesca do Algarve

Laranjal atingido pela praga
Como eliminar e controlar esta praga?
O método que parece ser mais eficaz para controlar esta praga é a colocação de armadilhas de esterilização de machos e fêmeas, de modo a inviabilizar as posturas.
Estas armadilhas são pequenos recipientes colocados estrategicamente no laranjal com atrativos lá dentro, como vinagre e açúcar. Devem ser colocados 45 a 60 dias antes da mudança da cor do fruto.
Além disso, a colheita não se deve atrasar demasiado, pois se houver um atraso de alguns dias corre-se o risco da mosca se expandir e num curto espaço de tempo a praga afetar todas as laranjeiras, o que implica a limpeza completa do laranjal e a utilização de inseticidas, o que põe em causa a produção biológica e sustentável caraterística dos produtores de laranja do Parque Natural do Tua.
Fonte: Direção Regional de Agricultura e pesca do Algarve

Armadilha para atrair a mosca
A redução da produção…
Para compreender melhor o impacto desta situação, entrevistei o Sr. João Cruz, natural de S. Mamede de Ribatua que pertence ao concelho de Alijó.
O Sr. João, nasceu e viveu a sua infância e juventude nesta aldeia. Contudo, por questões de trabalho saiu deste local, juntamente com a sua família, tendo criado os seus filhos na cidade de Bragança. Durante este tempo, sempre que podia, os seus fins de semana eram passados em S. Mamede para tratar dos terrenos agrícolas que os seus antepassados lhe tinham deixado, nomeadamente as vinhas, os olivais e os laranjais. O tempo era escasso, mas a tinha muita vontade de não deixar os terrenos ao abandono e com muito esforço e ajuda da sua esposa, Celestina Cruz, lá foram conseguindo cuidar de tudo. Recentemente reformaram-se e mudaram-se para terra natal. Agora, torna-se mais fácil zelar os terrenos agrícolas tendo até feito novas plantações.
O Sr. João, é proprietário de um laranjal que se encontra no Vale do Tua, numa zona conhecida por Califórnia. O laranjal era do seu sogro, Jaime Marinho, que era agricultor e parte dos seus rendimentos provinham da venda de laranja. Contrariamente ao seu sogro, a venda da laranja não é para o Sr. João uma forma de sustento, no entanto vende pontualmente este produto na feira anual da laranja, que se realiza nesta freguesia. Esta feira é muito importante para a freguesia uma vez que promove a laranja e atrai muitos visitantes promovendo a economia local.
Este ano, devido a esta praga que o Sr. João refere não ter lembrança que tenha acontecido antes, torna-se impossível colher uma quantidade suficiente para venda, não tendo mesmo produto para consumo próprio.
Este agricultor referiu ainda que para o próximo ano tenciona aumentar a construção de armadilhas de modo a conseguir diminuir a população da mosca responsável por esta praga.
Segundo ele, é urgente eliminar esta praga para proteger a economia local, a produção e consumo sustentável e tal só será possível com o apoio e intervenção técnica da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte.

A praga da mosca-do-mediterrâneo representa uma séria ameaça à laranja do Vale do Tua, colocando em risco um produto emblemático da economia local. Urge a necessidade de atuação rápida para evitar perdas ainda maiores nas próximas colheitas. A adoção de métodos de controlo eficazes, aliada ao apoio técnico das entidades competentes, será essencial para proteger os laranjais, preservar a produção biológica e garantir a continuidade desta prática agrícola tão importante para a região.

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