Aprender para Mudar: Escuteiros Exploram o Impacte da Reciclagem de Pilhas e Baterias

Um grupo de escuteiros portugueses e gregos visitou, no dia 15 de novembro de 2024, uma empresa especializada na reciclagem de resíduos elétricos, como pilhas e baterias. A atividade, de sensibilização ambiental, permitiu a troca de experiências sobre os sistemas de reciclagem de ambos os países. Os jovens aprenderam sobre o impacte ambiental do descarte inadequado destes objetos e a importância da economia circular. A visita destacou desafios e avanços na gestão desses resíduos, em ambos os países da UE, reforçando a necessidade de cooperação e consciencialização para um futuro mais sustentável, alinhado com os valores do Escutismo e da preservação ambiental.

Na tarde de dia 15 de novembro de 2024, um grupo de escuteiros portugueses e gregos teve a oportunidade de visitar uma empresa especializada na gestão e reciclagem de resíduos elétricos, incluindo pilhas, baterias e equipamentos eletrónicos em fim de vida. A visita inseriu-se num esforço de sensibilização ambiental, permitindo aos jovens compreenderem melhor os desafios e a importância da reciclagem destes materiais.

Para os escuteiros gregos, a visita foi especialmente enriquecedora, pois proporcionou uma comparação direta entre os sistemas de reciclagem gregos e portugueses. Embora ambos os países sigam as diretrizes europeias, a forma como a recolha e gestão destes resíduos é organizada varia significativamente, o que promoveu um debate construtivo entre os participantes, ao longo da atividade.

O desafio da reciclagem de pilhas e baterias

Durante a visita, os escuteiros foram recebidos por técnicos da empresa, que explicaram o percurso dos resíduos desde a recolha até à sua transformação em novos materiais. Um dos grandes desafios mencionados foi a correta separação e encaminhamento destes resíduos. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), as pilhas e acumuladores contêm substâncias perigosas, como chumbo, cádmio e mercúrio, que podem contaminar solos e águas subterrâneas se descartados de forma inadequada (APA).

Portugal tem avançado na recolha e reciclagem destes materiais. Segundo o Relatório de Gestão de Resíduos de Pilhas e Acumuladores, em 2021 foram recolhidas cerca de 3882 toneladas de pilhas e acumuladores. No entanto, a taxa de recolha ainda está abaixo da meta europeia de 45%, atingindo apenas 41% em alguns anos recentes (APA), o que demonstra a necessidade de reforçar a sensibilização e os mecanismos de recolha.

No entanto, quando corretamente reciclados, estes materiais podem ser reaproveitados na indústria, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais. “A reciclagem das baterias permite recuperar metais valiosos, como o lítio, essencial para a produção de novos equipamentos”, explicou um dos responsáveis da empresa.

A importância da reciclagem para a sustentabilidade

A reciclagem de pilhas e baterias não só reduz a poluição ambiental, como também evita o desperdício de materiais raros e valiosos. Os metais extraídos das baterias recicladas podem ser reutilizados na produção de novos dispositivos eletrónicos, contribuindo para a economia circular.

Estudos indicam que até 75% dos materiais das pilhas podem ser recuperados e reaproveitados (Quercus). Além disso, a reciclagem reduz significativamente a necessidade de extração de novos metais, um processo que tem impactes ambientais elevados, como a destruição de ecossistemas e a emissão de CO₂.

Os jovens escuteiros demonstraram grande interesse ao longo da visita, colocando questões sobre o impacte ambiental do descarte incorreto e sobre o funcionamento dos ecopontos específicos para pilhas e baterias, em Portugal. Segundo a legislação europeia, os produtores destes equipamentos são responsáveis por garantir a recolha e reciclagem dos seus produtos após o uso, mas a colaboração dos consumidores é essencial para que este processo seja eficaz (Quercus).

O papel da sociedade na reciclagem

A visita terminou com um apelo à responsabilidade individual. “Cada um de nós tem um papel fundamental na proteção do meio ambiente. Pequenos gestos, como colocar as pilhas nos locais adequados, fazem uma grande diferença”, reforçou um dos escuteiros.

Para facilitar a reciclagem, Portugal conta com mais de 17.000 pontos de recolha de pilhas e acumuladores espalhados pelo país. Estes locais incluem supermercados, lojas de eletrónica, escolas, quartéis de bombeiros e ecocentros municipais (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro).

Já na Grécia, os participantes mencionaram que ainda há um caminho a percorrer para aumentar a acessibilidade aos pontos de recolha. No entanto, iniciativas como esta visita reforçam a importância da cooperação internacional na sensibilização ambiental.

Os escuteiros concluíram a experiência com uma visão renovada sobre a importância da reciclagem e o impacte das suas escolhas na preservação do planeta. A visita não só lhes permitiu compreender melhor o ciclo de vida das pilhas e baterias, como também destacou a necessidade de uma participação ativa na redução da poluição e na promoção da economia circular. Além disso, a troca de experiências entre portugueses e gregos evidenciou como pequenas diferenças na gestão de resíduos podem influenciar significativamente a eficácia da reciclagem.

Este compromisso com a sustentabilidade reflete um dos princípios fundamentais do Escutismo, transmitido pelo seu fundador, Baden-Powell, que incentivava os jovens a “deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram”. Iniciativas como esta reforçam o papel essencial da educação ambiental na formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e empenhados em construir um futuro mais sustentável para as próximas gerações.

Patrícia Alexandra G. A. A. Cruz