O progresso invertido pela Natureza

Com visíveis marcas de degradação, na margem da estrada em Torregamones, Espanha, uma estação de serviço, decalca a história da sociedade atual. O crescimento desregrado das silvas demonstra o abandono de uma decisão tomada anteriormente por uma infraestrutura que deixa agora apenas vestígios, e que enfrenta o próprio declínio. A natureza ultrapassa a legislação, sobrepondo-se aos objetivos previstos pela União Europeia no Pacto Ecológico Europeu.

Enquanto as silvas engolem o que resta da estação de serviço em Torregamones,o decurso da tempestade Kristin deixou a nu a fragilidade da transição energética. Em nome do Pacto Ecológico Europeu, a sociedade transacionou do fóssil para o elétrico, mas o “apagão” culinário e térmico provocado pela tempestade provou que a nova infraestrutura é, por vezes, menos resiliente que as ruínas que a antecederam. No interior de Espanha, o progresso verde ficou sem bateria e sem alternativa.
A carcaça de Torregamones é mais do que um vestígio de uma era fóssil; é o lembrete de uma autonomia que a transição energética ainda não soube repor. O Pacto Ecológico Europeu desenhou um futuro de tomadas, placas de indução e ecrãs, mas a tempestade Kristin encarregou-se de desligar o interruptor, deixando populações inteiras sem o básico: calor e comida. Enquanto as silvas reclamam o betão, e um sistema colapsa com o vento forte, a vulnerabilidade da “evolução” é descoberta e a natureza prova-se, mais uma vez, superior.

Francisca Ribeiro, Luís Martins