Rio Pelhe: de rio colorido a rio recuperado?

Ouvir o som da água de um rio correr pelas pedras é normalmente uma sensação agradável e relaxante que convida ao descanso. Mas quando junto de um rio existe um parque, há quem prefira juntar o útil ao agradável e realizar exercício físico ou outras atividades de lazer. O rio Pelhe é um desses rios que, ao atravessar o Parque da Devesa no coração de Vila Nova de Famalicão, constitui um elemento central da cidade e uma referência para os Famalicenses. No entanto este rio já foi inúmeras vezes afetado por descargas de águas residuais, tendo algumas das mais recentes ocorrido em novembro de 2024 e em julho de 2025.

O rio Pelhe é um rio português, com cerca de 20 km de extensão, afluente do rio Ave, que nasce na freguesia de Portela, no concelho de Vila Nova de Famalicão, passando ainda por várias freguesias como Telhado, Vale de São Cosme, Gavião, Antas, Calendário, Esmeriz e Lousado, onde desagua. Especialmente durante as décadas de 70 e 80, o equilíbrio natural deste rio foi rompido por frequentes descargas ilegais de resíduos de tinturaria, fruto do desenvolvimento da indústria têxtil na região, e de águas residuais domésticas, que eram lançadas sem qualquer tratamento prévio. Mas a ideia de a Câmara Municipal criar um parque urbano na cidade, em 2001, viria a mudar o rumo trágico do rio Pelhe. No entanto, há evidências de descargas de águas residuais recentes ocorridas, por exemplo, em novembro de 2024 e em julho de 2025.

A construção do Parque da Devesa, concluída em setembro de 2012, foi um ponto de viragem para a recuperação do rio Pelhe, pois ao constituir um elemento central deste parque urbano exigiu uma intervenção de fundo. O executivo municipal famalicense assumiu, assim, a despoluição deste rio como um objetivo estratégico central da sua ação. Algumas das medidas implementadas incidiram na identificação dos focos de poluição, no desenvolvimento de uma ampla campanha de sensibilização junto das empresas situadas na bacia do rio Pelhe, na regularização de ligações ao saneamento de habitações e empresas e na realização de ações de fiscalização junto da população e das indústrias da região.

Apesar deste compromisso assumido pela Câmara, os episódios de descargas poluentes têm-se repetido. Em novembro de 2024, um entupimento na zona da lavagem de veículos nas oficinas gerais do município provocou uma descarga de afluentes indevida para o rio Pelhe. Também em julho de 2025, um entupimento no saneamento, numa das ruas da cidade, terá provocado outra descarga neste rio. Utilizadores frequentes do Parque referem ainda episódios de alterações na cor e no cheiro das águas do rio.

Será que o município de Famalicão continua empenhado no combate à poluição dos rios que atravessam o concelho? E em particular o caso do rio Pelhe que atravessa o ex-libris da Cidade?

Iara Rafaela Rodrigues Ribeiro, Maria Leonor Ferreira Pereira