Cidade do Rock: O Desafio da Certificação Ambiental

Com uma estrutura comparável à de uma pequena cidade, o festival Rock in Rio Lisboa, agora no Parque Tejo, enfrenta um desafio que vai muito além da música: reduzir o impacto ambiental de um evento que mobiliza mais de 100.000 pessoas. Para o conseguir, a organização recorre desde 2016 a certificações que monitorizam e orientam a gestão sustentável do evento, desde os consumos energéticos até às emissões de carbono.

Arrancou neste sábado, 20 de junho, mais uma edição do Rock in Rio (RiR) Lisboa. À semelhança da edição de 2024, o festival decorreu no Parque Tejo, em Lisboa, e esgotou já o primeiro fim de semana, contando com artistas de renome como Katy Perry e Linkin Park.

Com quatro palcos, mais de 40 artistas, e milhares de festivaleiros por dia, este festival é muitas vezes apelidado de ‘Cidade do Rock’. No entanto, a grandeza acarreta desafios igualmente grandes, em particular no setor da sustentabilidade. Para garantir o bom funcionamento do Rock in Rio em paralelo com o menor impacto ambiental, a organização leva em conta um conjunto de certificações.

Uma das certificações de maior peso é a da ISO (International Organization for Standardization). A ISO tem um conjunto de normas padronizadas que são internacionalmente utilizadas para garantir a sustentabilidade, existindo diferentes indicadores para diferentes setores, como hotelaria, restauração ou mesmo gestão de qualidade. No caso do RiR, é a ISO 20121 – Eventos Sustentáveis que é aplicada desde 2016.

Algo que mudou com a implementação da norma ISO foi a forma como é feita a monitorização dos consumos de energia. João Barreiros, responsável pela energia eléctrica do festival, explica-nos que a monitorização é rigorosa e detalhada, desde a energia gasta em stands e restauração, até a cada um dos palcos e tendas VIPs no recinto e em bastidores. “Com os registos de consumo individuais, podemos ajustar a rede elétrica do festival ano a ano de forma a minimizar o uso de geradores e assim reduzir o impacto ambiental”.

As emissões de CO₂ equivalente são igualmente uma preocupação, não só relacionadas com a energia, mas com toda a atividade do festival. Gabriela Cunha, analista de sustentabilidade operacional da Cidade do Rock, afirma que as emissões são todas recolhidas, desde o transporte de todo o material, à operação do festival de janeiro até aos dias de concerto, e incluindo a deslocação de todo o staff, artistas e do próprio público. O objetivo é compensar todas as emissões através de projetos ambientais, como têm feito em edições passadas através do restauro de florestas, uma delas a floresta da Amazónia.

Gabriela Cunha, analista de sustentabilidade operacional do Rock in Rio

A ISO não é o único certificado a ser aplicado. O próprio Rock in Rio criou o seu certificado, denominado Certificado Carbono Zero, que é atribuído aos artistas pelas suas deslocações ao recinto. Este certificado tem como objetivo alertar os artistas e respectivas equipas de agentes para os impactos ambientais das deslocações, para que estes as possam reduzir e posteriormente sejam compensadas pela organização.

Realizar um evento de grande escala com o mínimo de impacto ambiental é desafiante, mas o Rock in Rio tem demonstrado a cada ano que é possível melhorar. A organização mantém-se motivada e empenhada para na próxima edição de 2028 conseguir ser ainda mais sustentável.

André Manteigas, Eva Oliveira, Leonardo Sales, Pedro Gomes