Segunda mão em alta, indústria sob pressão:

Uma camisola esquecida no armário pode acabar no lixo... ou encontrar um novo dono a centenas de quilómetros de distância. Em Portugal, cada vez mais pessoas estão a vender roupa através de aplicações como a Vinted. A ideia parece simples: poupar dinheiro, libertar espaço e contribuir para um ambiente mais sustentável. Mas, ao mesmo tempo que o mercado de roupa em segunda mão está a crescer, temos recebido notícias preocupantes sobre despedimentos na indústria têxtil do Norte do país.

Produzir roupa exige água, energia e muitos recursos naturais. Em muitas casas portuguesas, grande parte destas peças acaba por ser descartada. Em média, cada europeu deitou fora cerca de 19 quilos de têxteis no ano de 2022 segundo dados da European Environment Agency . No total, isso representa 8,5 milhões de toneladas de roupa na União Europeia que acabaram no lixo.

Ainda assim, a forma como os consumidores lidam com a roupa está a mudar. “Comecei a vender algumas peças que já não usava”, refere uma estudante de secundário que usa plataformas como a Vinted:  “Percebi que havia pessoas interessadas e que a roupa podia continuar a ser usada.”

Felizmente, as plataformas digitais tornaram esse processo muito mais simples. É apenas necessário uma fotografia da peça que se deseja vender, uma pequena descrição da mesma e um comprador interessado. Para muitos jovens, vender roupa online tornou-se algo normal e, consequentemente, comprar em segunda mão passou a ser visto, não apenas como uma forma de poupar dinheiro, mas também como uma escolha mais consciente.

Os hábitos de consumo estão a mudar e isso representa um dos principais desafios para o setor têxtil. Nos últimos meses, temos assistido a despedimentos coletivos e a dificuldades enfrentadas por várias empresas do setor têxtil do Norte do país. Para uma região que viveu décadas ligada à produção de vestuário, estas transformações têm um grande peso na vida das populações locais.

A moda encontra-se num momento de transição. Entre fábricas que enfrentam dificuldades e consumidores que procuram alternativas, o setor tenta encontrar um novo equilíbrio.

 

Mariana Martín