Voluntariado em Oeiras: A Geração que Está a Transformar o Concelho

O Município de Oeiras aposta na energia dos mais novos para preservar o território e promover a cidadania. Através de programas como o “Jovens em Movimento” e o “Ecos da Natureza”, o concelho transforma a necessidade ocupacional numa oportunidade de aprendizagem e serviço comunitário. Com cerca de 750 voluntários a percorrer as ruas, jardins e praias durante o verão e, ocasionalmente, durante o resto do ano, estes projetos não são apenas uma ajuda logística para a autarquia, mas sim um meio de preparação para o mercado de trabalho e um projeto essencial na conservação ambiental da região.

Com 34 anos de história, o projeto Jovens em Movimento, em Oeiras, evoluiu de uma simples ocupação de tempos livres para uma estrutura organizada que abrange diversas frentes de atuação Municipal. Destinado a jovens entre os 15 e os 20 anos na sua vertente de verão, e dos 18 aos 23 anos na campanha anual, o projeto caracteriza-se pela sua forma bastante versátil. Se, por um lado, existe uma grande quantidade de voluntários nos meses estivais, por outro, uma equipa anual de seis elementos garante que existe sempre uma resposta para qualquer tarefa necessária no concelho.

Enquanto o Jovens em Movimento foca na manutenção geral do município de Oeiras, o projeto Ecos da Natureza assume um caráter mais técnico e científico. Com cerca de 40 estudantes do ensino superior, com especial destaque para a área da Biologia, este grupo atua na linha da frente da conservação ambiental. Entre os 21 e os 30 anos, estes voluntários dedicam-se a ações como por exemplo o controlo de espécies invasoras, à plantação de arbustos e à manutenção da flora nativa. Este trabalho é essencial, pois garante que os ecossistemas de Oeiras sejam tratados com conhecimento científico especializado.

Voluntários dos “Ecos da Natureza” numa atividade de preservação de biodiversidade

É nos meses de calor que o impacto é mais visível, com uma distribuição ampla e eficaz que inclui uma equipa em cada freguesia, intervenções em jardins e hortas comunitárias, e uma presença constante nas quatro praias balneares do concelho. Para Teresa Pregoeiro, técnica superior da Divisão de Gestão Ambiental e responsável pelo projeto, este esforço é o que permite ao município manter a qualidade de vida durante o pico turístico, atenuando a pressão que o aumento de visitantes causa na limpeza e manutenção do espaço público no período balnear e festivo.

Surge frequentemente uma questão pertinente sobre se podemos afirmar que um trabalho é voluntário quando existe uma remuneração envolvida. Em Oeiras, os participantes recebem bolsas que variam entre os 300 euros e os 470 euros, dependendo da função e da duração do turno. Embora o termo possa parecer complicado, o município encara este valor como um incentivo à responsabilidade e ao desenvolvimento pessoal. O cumprimento de regras e horários prepara os jovens para o rigor do mercado de trabalho e cria uma resiliência nos recursos humanos do município, ao mesmo tempo que desenvolve uma consciência cívica e um sentimento de pertença em relação à preservação do bem comum. Contudo, a organização depara-se com um problema recorrente: a desistência dos monitores mesmo antes do período de voluntariado, muitas vezes no dia anterior, impedindo a realização do mesmo.

Apesar dos desafios logísticos, o balanço de 34 anos de existência destes projetos é amplamente positivo. Ao longo do tempo, o concelho consolidou um modelo na qual a juventude é uma “ferramenta” essencial na preservação ambiental. O esforço destes jovens é a prova de que a conservação do território pode ser, simultaneamente, um serviço à comunidade e a primeira grande experiência de crescimento pessoal de uma geração.

Kasper Withrow, Pedro Santos, Isabela Astorga, Rita Sousa, Leonor Lopes