“Resíduos de podas…Do problema à solução não passa pela tradição”.

Para dar fruto é preciso podar. Ainda hoje continuamos a assistir, sobretudo nos meios rurais, às queimadas das podas. Junto da EB Terras do Ave as queimadas permanecem e são um problema ambiental e um desperdício. É função da escola informar não só os alunos como a comunidade local, a melhor forma de proceder. Junto dos jubilados, que nos ensinam a podar, é altura dos mais novos divulgarem o resultado das suas pesquisas e como estes podem reaproveitar esses resíduos, numa logica de Economia Circular.

O Minho é também conhecido pelo vinho verde, e ao lado da escola passa o rio Ave cujas margens são ladeadas pelas vinhas típicas, que caracterizam a paisagem desta região. Mas para produzir vinho bom é preciso podar.

A poda é uma arte, que já poucos dominam e que produz muitos resíduos. Se até há alguns anos os resíduos que dai resultavam não eram exatamente um problema, porque o material lenhoso servia de combustível para a única forma de aquecimento das casas e para cozinhar, as lareiras e fornos a lenha, hoje o problema é grande.

As queimadas de resíduos agrícolas, ainda que autorizadas, prejudicam a qualidade do ar, contribuindo para o aquecimento global, e são um perigo para a saúde pública. As conclusões são de um estudo da Universidade de Aveiro (UA) que estudou, em Portugal, as consequências para o ambiente e para a saúde do fumo das queimadas ao ar livre provenientes dos restos das podas de árvores. O fumo resultante da queima da biomassa contém um grande e diverso número de produtos químicos, incluindo partículas e compostos gasosos.

https://audiencia.pt/queimadas-de-residuos-agricolas-prejudicam-ambiente-e-saude/

https://www.imflorestal.com/docs/1.2.-Contaminac%CC%A7a%CC%83o-ambiental-CO2-Queima-das-podas.pdf

Quando questionamos a comunidade escolar sobre os efeitos das queimadas das podas, muitos não sabiam do que estamos a falar. “Podas”?

Já comunidade local com mais algum tempo de existência sabia o que são podas, mas não sabiam o que fazer com o resto das mesmas e a quem se dirigir.

Surge então a necessidade de uma parceria que conjuga tudo e todos a começar no início do próximo ano letivo. Os séniores ensinam os juvenis a podar, estes divulgam os efeitos nocivos das queimadas e propõem soluções, para o reaproveitamento de resíduos de poda e sua colaboração para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

https://www.researchgate.net/publication/348023336_Reaproveitamento_de_residuos_de_poda_e_sua_colaboracao_para_atingir_os_Objetivos_de_Desenvolvimento_Sustentavel

Nem sempre os residentes sabem onde se dirigir. Em Vila Nova de Famalicão os resíduos agrícolas são administrados pelos serviços municipais gratuitos e entrega direta em infraestruturas, garantindo que estes materiais orgânicos são transformados em recursos como composto agrícola (adubo) através da Resinorte.

Agora é trabalhar para cooperar para que um problema passe a ser mais que uma solução. Os resíduos agrícolas podem no circuito da economia circular, como produtos da construção civil, painéis de madeira, motivos de decoração e material pedagógico e mesmo composto para solos entre outras utilidades.  Tudo menos queimar para desperdiçar e o ar contaminar.

 

 

 

 

Ariana Ferreira , Nuno Chen , Rodrigo Ferreira , Sofia Carvalho , Matilde Pereira