Em São João de Fontoura, Resende, ao percorrer a Rota dos Cerejais (PR1 RSD) é possível descobrir inúmeras espécies da fauna autóctone mediterrânica. Apesar de em qualquer altura do ano se poder contemplar a flora nativa da região, é na primavera, no auge da floração, que a paisagem se transforma num mosaico de cores ponteado por inúmeras espécies polinizadoras que ali encontram o seu repasto. O trilho atravessa a uma região rural, constituindo uma oportunidade para conhecer o fruto de eleição desta terra, mas também ficar à conversa com os moradores locais que, com muita simpatia, partilham o seu conhecimento.
As zonas rurais representam ecossistemas importantes nos quais a Natureza e o Homem se interligam e convivem. Apesar da sabedoria do povo ser, nestas regiões, ainda muito empírica, há um conhecimento vasto acerca das espécies autóctones e uma atitude de grande respeito pela Natureza. A criação de trilhos pedestres nestes locais é normalmente vista com grande apreço pelos habitantes locais pois, para além de trazem turistas que promovem o desenvolvimento da região, esses ecoturistas são pessoas que valorizam o espaço natural, não só porque lhes permite encontrar a calma e o sossego que escasseiam no seu dia a dia, mas porque são pessoas com uma maior consciência ambiental e respeito pela preservação e a conservação dos espaços naturais e pelo bem-estar da população local.
No decurso da Rota dos Cerejais (PR1 RSD) destacam-se algumas espécies herbáceas autóctones por desempenharem um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas, contribuindo para as interações biológicas que ajudam a preservar a vida neste território. A Jasione montana e a Malva sylvestris, por exemplo, são fontes cruciais de néctar e pólen, atraindo uma grande variedade de insetos polinizadores. A Campanula lusitanica, para além de constituir mais um recurso melífero importante, é frequentemente encontrada em terrenos incultos, baldios e bermas de caminhos, contribuindo para a recuperação de habitats perturbados e ajudando na estabilização do solo. A papoila, Papaver rhoeas, espécie comum em searas, pousios, pastagens, prados, montados, olivais, bermas de caminhos e baldios, tem vindo a ser prejudicada pelo uso de herbicidas, o que compromete a sua presença em diferentes ambientes. A dedaleira,Digitalis purpurea, apesar de tóxica para seres humanos e muitos herbívoros, é uma fonte de alimento para muitos polinizadores, contribuindo também para a recuperação de áreas perturbadas e para a estabilização do solo.
Desta forma, trilhos como a Rota dos Cerejais mostram que a conservação da natureza não se faz apenas em reservas ou espaços protegidos, mas também em percursos que aproximam as pessoas dos ecossistemas locais. Ao permitir observar, compreender e valorizar a flora autóctone, estes espaços tornam-se ferramentas essenciais de sensibilização ambiental. Mais do que abrir caminho à descoberta, abrem também caminho ao respeito pela biodiversidade e à sua preservação para o futuro.
Fontes:
- Flora-On | Flora de Portugal interactiva, flora-on.pt
- Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), https://www.icnf.pt/conservacao/especies/flora
- Trilhos e Caminhadas em Portugal, trilhosecaminhadas.pt
