Eco-Aventura ou Apenas Negócio? O Equilíbrio Frágil do Adventure Park

Entre percursos de arborismo e remadas no rio, o Adventure Park do Jamor oferece a fuga perfeita para quem foge do caos da cidade. Mas será que este espaço verde de Oeiras está a conseguir lidar com a pegada deixada pelos visitantes?

Localizado a poucos minutos do centro de Oeiras, o Adventure Park, inserido no Complexo Desportivo do Jamor, afirma-se como um refúgio de biodiversidade e um centro de experiências ao ar livre de referência. Seja para festas de aniversário, visitas de estudo, campos de férias ou simples convívios entre amigos e famílias, o parque oferece a oportunidade de unir o desporto, a natureza e a diversão. Este espaço desempenha também um papel social relevante, servindo como local de estágio para muitos jovens de escolas secundárias que ali iniciam a vida profissional e se preparam para o mercado de trabalho.

A oferta de atividades é diversificada e tem o objetivo de testar limites e promover o trabalho de equipa. O arborismo, principal atividade do parque, divide-se no Mega Circuito, direcionado a maiores de 12 anos e adultos com preços entre os 20€ e os 22€, e na Pequena Floresta, um percurso ideal para crianças que testa o equilíbrio nas copas das árvores. Para quem prefere a água, a canoagem surge como uma opção que privilegia a entreajuda e o diálogo, exigindo um mínimo de 8 participantes com pelo menos 10 anos, por um valor de 15€ por pessoa. Já a orientação foca-se na estratégia pedestre, utilizando mapas e bússolas para guiar grupos pelo terreno, enquanto o laser tag oferece uma experiência de pura adrenalina e espírito de equipa através de disparos de feixes inofensivos durante 1h30, com um custo de 25€ por jogador.

Do ponto de vista ambiental, o parque apresenta perspectivas distintas. Por um lado, funciona como uma barreira de preservação contra a expansão urbana, permitindo que a população desfrute de uma zona de floresta preservada nas periferias do centro empresarial da cidade. A biodiversidade é respeitada com intervenções estruturais mínimas que zelam pela integridade das árvores e plantas locais.

Adventure Park, Parque Desportivo do Jamor

Contudo, em épocas altas, o diminuto número de caixotes de lixo e de staff para a sua recolha torna-se preocupante, resultando em contentores sobrelotados. Para além disso, a ausência de ecopontos e falta de introdução a uma política de separação de resíduos para reciclagem revela uma falta de preocupação ambiental por parte do adventure park. Esta questão prende-se também com o consumo de água. Após o esforço físico, os visitantes são conduzidos pela circunstância à compra de garrafas de plástico descartáveis no bar do parque, quando a instalação de bebedouros seria uma solução muito mais sustentável e menos focada simplesmente apenas no lucro imediato.

O Adventure Park é um destino apelativo aos turistas e habitantes da cidade para o lazer e para o contacto com o meio ambiente, mas o seu modelo de gestão ainda precisa de uma maior consciência ecológica que respeite o local onde está inserido. Fica a dúvida: Será que a diversão na natureza justifica a negligência com os resíduos que a população flutuante deixa, ou deveriam estes espaços ser os primeiros a dar o exemplo de sustentabilidade?

Isabela Astorga, Kasper Withrow, Rita Sousa, Leonor Lopes, Pedro Santos