Na praia de Santo Amaro, localizada no concelho de Oeiras, na região de Lisboa, para além de ser uma zona de banho, encontra-se também uma ampla variedade de espécies, que enriquecem a área costeira. Sendo assim, é não só uma região visitada por banhistas, mas também por pescadores.
Entre as espécies mais comuns que habitam esta zona destacam-se caranguejos, camarões e polvos, além de várias aves limícolas. Estas encontram nas rochas e na linha costeira um ambiente favorável à sua sobrevivência. Para além disso, a área alberga também espécies com mutações raras, um caranguejo-murraceiro, com um tom azulado, que encontra nas formações rochosas o seu habitat ideal. Uma curiosidade, segundo Fernando Esteves, biólogo da Divisão de Gestão Ambiental, é que “Alguns pássaros conforme as estações apresentam uma cor diferente, sendo estas mais intensas na época de acasalamento.”
O biólogo também falou num hábito humano prejudicial principalmente para as aves, concedendo constantemente alimentos, como o pão. Com a frequência destas ações, parte das espécies acaba por sofrer da síndrome “Asas de Anjo”, que consiste numa condição em que as penas das asas cresçam de forma anormal, fazendo com que a ponta da asa fique virada para fora, em vez de ficar junta ao corpo. Esse problema leva à dificuldade ou incapacidade de voar, tendo assim uma maior vulnerabilidade aos predadores, muitas das vezes impedindo a sua sobrevivência.
Contudo, muitos pescadores encontram nesta zona um local perfeito para capturar caranguejos, o que pode acabar por também causar problemas ambientais. A prática contínua pode levar ao desequilíbrio do ecossistema, nomeadamente pelo excesso de captura.

Dois exemplares de limícolas, rola-do-mar e pilrito-das-praias
Segundo um dos pescadores que frequenta regularmente a praia, a quantidade de caranguejos tem vindo a diminuir nos últimos anos. Na sua opinião, essa redução poderá estar relacionada com o desvio do emissário de esgoto para o mar, situação que, segundo acredita, terá alterado as condições do habitat naquela zona.
No entanto, Fernando Esteves apresenta uma perspetiva diferente. De acordo com o biólogo, a presença de matéria orgânica associada ao emissário pode, em alguns casos, ter efeitos positivos para determinadas espécies marinhas, uma vez que aumenta a disponibilidade de alimento para alguns organismos que fazem parte da cadeia alimentar do ecossistema costeiro.
Assim, enquanto alguns utilizadores da zona associam as alterações observadas à intervenção humana, especialistas defendem que os impactos podem ser mais complexos e nem sempre exclusivamente negativos. A dinâmica do ecossistema costeiro depende de múltiplos fatores, o que torna essencial continuar a observar e estudar a evolução da biodiversidade local.

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