O parque que fica na memória …

A depressão Kristin, que atingiu Portugal continental no dia 28 de janeiro de 2026, afetou diversas partes do país, tendo afetado principalmente a região de Leiria. O Parque da Memória na Maceira- Leiria ficou totalmente destruido.

No dia 28 de janeiro a paisagem que nos acompanhou em cada dia de escola mudou, o parque da Memória desapareceu …

No dia 3 de janeiro de 1951, a Fábrica de cimentos da Maceira (Secil), deu um passo decisivo para a criação de um espaço verde que viria a tornar-se uma referência local. O projeto contou com a intervenção do Engenheiro Amável Granger, cuja participação técnica foi fundamental para o planeamento e organização inicial da área.
Inicialmente o parque chamava-se “Parque Henrique Sommer”, nome do fundador da fábrica, existindo ainda no parque um monumento em sua homenagem. A origem do nome “Parque da Memória” está ligada a Artur Ribeiro, trabalhador da fábrica que se referia ao espaço como “Parque da Memoira”.

Para além do seu valor histórico, o parque assumiu um papel essencial no equilíbrio ambiental da zona urbana, sendo usado pela população como zona de lazer, convívio e prática de atividades ao ar livre. Durante os meses mais quentes, a presença abundante de vegetação criava uma zona fresca, contribuindo para reduzir o impacto das altas temperaturas na vila. O parque atuava também como barreira para as poeiras, ajudando a melhorar a qualidade do ar através da retenção de partículas.

A abundância e diversidade de plantas, algumas delas plantadas por ex-alunos da nossa escola, criaram aqui refúgio ideal para diversas aves e mamíferos.

Depois de décadas a servir a população como espaço de lazer, património histórico e refúgio ambiental, o parque urbano sofreu danos severos causados pela Depressão Kristin, que atingiu Portugal no passado dia 28 de janeiro, com especial intensidade nesta região.

A tempestade trouxe chuva intensa e ventos muito fortes o que provocou a queda de cerca de uma centena de árvores de pequeno e grande porte, como por exemplo pinheiros-manso, cedros e medronheiros provocando danos generalizados em toda a área do parque.

As infraestruturas de apoio ao público foram destruídas, percursos ficaram obstruídos e grande parte da vegetação — responsável pela sombra, frescura no verão e biodiversidade do espaço foi derrubada. O impacto ambiental é significativo.

As autoridades locais admitem que a reconstrução poderá ser longa, exigindo limpeza profunda, replantação de árvores e recuperação de equipamentos. Ainda assim, há a expectativa de que, com um plano de reabilitação adequado, o parque possa voltar gradualmente a cumprir a sua função histórica, social e ambiental junto da população.

Terminamos esta reportagem com a esperança que o parque no futuro volte a ser um espaço de convívio e onde novas memórias sejam criadas.

Turma de Turismo Ambiental e Rural (CP2)