Ilhas de calor em Gaia: quando faltam as árvores

Em Vila Nova de Gaia, algumas ruas e avenidas tornam-se, nos dias de verão, verdadeiros fornos a céu aberto. A causa? Demasiado asfalto, demasiados edifícios e poucas árvores. Alunos do 8.º ano, da turma D, investigaram este fenómeno e perceberam que a solução está mais próxima do que parece.

Em Vila Nova de Gaia, o calor sente-se muitas vezes com mais força em algumas avenidas e ruas largas do que em zonas com árvores, jardins ou maior ventilação. Este fenómeno chama-se ilha de calor urbano e acontece quando a cidade acumula mais calor do que as áreas com vegetação e menos construção.

Rua sem sombra em Gaia num dia de calor. Uma avenida sem árvores em Vila Nova de Gaia num dia quente.

A causa principal está nos edifícios, no asfalto, nos passeios e noutros materiais que absorvem o calor do Sol durante o dia e libertam calor durante a noite. Quando falta sombra, o desconforto aumenta ainda mais, sobretudo em dias quentes de verão. Na prática, os eixos urbanos mais expostos ao Sol tornam-se espaços difíceis de utilizar, principalmente para crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde. Nessas zonas, andar a pé pode ser cansativo e esperar por transportes públicos torna-se mais desconfortável.

A falta de árvores também reduz a evapotranspiração, um processo natural que ajuda a refrescar o ar. Por isso, ruas com pouca vegetação aquecem mais depressa do que áreas com copas arbóreas e jardins.

A RESPOSTA DE GAIA AO PROBLEMA

Gaia tem vindo a tentar responder a este problema com políticas de arborização e valorização dos espaços verdes. Em 2020, o município lançou um Plano Municipal de Arborização com a meta de plantar 10 000 árvores em 18 meses.

Esse plano foi pensado para reforçar a vegetação em espaços urbanos, incluindo ruas, separadores e zonas próximas de habitações. As espécies são escolhidas de acordo com o local, para resistirem melhor ao clima e às condições do espaço público.

PARQUES E ESPAÇOS VERDES

Rua com edifícios e asfalto, materiais que acumulam calor.

A Câmara Municipal de Gaia refere que o concelho dispõe de vários parques, como o Parque Biológico de Gaia e o Parque da Lavandeira, que ajudam a melhorar a qualidade ambiental. Estes espaços funcionam como áreas de lazer, mas também como locais de educação ambiental e contacto com a natureza. Além disso, o município usa ferramentas de análise urbanística e climática para apoiar decisões de planeamento. A Gaiurb refere que Gaia foi pioneira em Portugal na utilização do Zonamento Climático Local para orientar o ordenamento do território. Isso é importante porque nem todas as zonas da cidade têm o mesmo comportamento térmico. Há ruas mais fechadas, com edifícios altos e pouca circulação de ar, que acumulam mais calor.

O PAPEL DO PLANEAMENTO URBANO
O Plano de Urbanização da Avenida da República mostra precisamente a preocupação de valorizar o verde no espaço público e de criar corredores verdes. Esse tipo de planeamento ajuda a tornar a cidade mais confortável e mais resistente às temperaturas elevadas. A presença de árvores, praças ajardinadas e áreas sombreadas reduz a temperatura sentida pelas pessoas, melhora a qualidade do ar e embeleza os espaços urbanos.

SAÚDE PÚBLICA EM RISCO
O problema das ilhas de calor urbano não é só uma questão de conforto. É também uma questão de saúde pública, porque o calor excessivo pode agravar doenças e afetar mais quem é vulnerável. Durante períodos de calor intenso, a Direção-Geral da Saúde recomenda evitar a exposição ao sol entre as 11h00 e as 17h00 e procurar ambientes frescos.
Isto mostra que a cidade precisa de espaços mais sombreados e frescos para proteger a população.<<<<

UM FUTURO MAIS VERDE

Eixo rodoviário urbano em Gaia, exemplo de zona exposta ao calor.

Em Gaia, a solução passa por mais árvores, mais parques, mais corredores verdes e melhor planeamento urbano. A arborização das ruas não serve apenas para decorar. Serve para criar sombra, baixar a temperatura e tornar os eixos urbanos mais seguros e agradáveis. Quando a cidade aposta no verde, ganha qualidade de vida, saúde e sustentabilidade. As ilhas de calor em Gaia mostram que o clima urbano depende muito das escolhas feitas no desenho da cidade. Se houver mais sombra e mais vegetação, as ruas ficam mais habitáveis. Se houver mais asfalto e menos árvores, o calor intensifica-se. Por isso, a luta contra a falta de sombra é também uma forma de preparar Gaia para o futuro.

Martim Moreira, David Pereira, Guilherme Pinto, Afonso Neves