Onde surgiram os cavalos do Sorraia?
Os cavalos do Sorraia, são originários, como o nome indica, da região do rio Sorraia, na região do Ribatejo.
Esta espécie foi descoberta por um hipólogo, chamado Ruy d’Andrade. Este descobriu um conjunto de 20 cavalos homogéneos no vale do Sorraia. Investigou e conclui que se deparava com uma nova espécie, a que intitulou cavalos do Sorraia.
Apesar de esta espécie só ter sido descoberta no século passado, pensa-se que estes cavalos existem já desde tempos primitivos, devido às suas características, e porque existem pinturas rupestres em Espanha que fazem alusão às características deste cavalo.
Graças a isto o Dr. Ruy d’Andrade concluiu que esta espécie se tratava de uma espécie de cavalos selvagens, que foi e estava a ser aproveitada pelos camponeses daquela região para realizarem trabalhos de campo, devido às suas características.
Características dos cavalos do Sorraia
O cavalo do Sorraia é um cavalo de estatura média. A altura média das fêmeas é 1,44 m e dos machos é 1,48m. Além disso é um cavalo robusto.
Esta espécie tem ossos pouco volumosos, mas resistentes, e têm uma musculatura pobre. Têm um perfil subconvexilíneo, eumétrico e mediolíeno, ou seja, têm um corpo proporcional. Graças a estas características, quando estão magros estes cavalos têm uma forma mulina e quando estão gordos, uma forma mais arredondada.
Ao nível do pelo a raça Sorraia tem um pelo curto e relativamente fino devido ao clima da região de onde é originária. A cor da pelagem destes cavalos é pardo rato ou pardo amarelo, que são cores parecidas ao cinzento. Na zona lombar, ou seja, por cima da coluna, desde o pescoço até à cauda, estes cavalos têm uma risca preta, que é uma lista mula. Além disso nos membros anteriores (mãos) e membros posteriores (pés) apresentam zebradas, que são umas listas pretas.
As crinas e cauda são bicolores, são escuras e claras, normalmente a cor clara é um bege e a escura preto ou cinzento.
Devido a estas características estes cavalos são uma espécie muito resistente, principalmente ao nível climatérico, pois conseguem adaptar-se a diferentes climas.
Ao nível de temperamento são naturalmente cavalos ariscos, ou seja, teimosos, mas se forem domesticados e treinados tornam-se dóceis, mansos.
Introdução desta espécie na Quinta do Pisão
Quando o hipólogo Ruy d’Andrade, encontrou o grupo de cavalos, percebeu que estes eram alguns dos últimos restantes desta espécie, por isso, adquiriu 7 cavalos de modo a preservar esta espécie. Mais tarde estes cavalos foram entregues à Coudelaria Nacional, que continuou a preservá-los. Foram transitando entre várias herdades e até foram vendidos a um criador na Alemanha, ou seja, estes cavalos encontram-se um pouco por todo o lado. Atualmente existem cerca de 200 cavalos e são por isso uma espécie em vias de extinção. Existem vários locais onde se pretende conservar esta espécie em regime selvagem, como estes cavalos deveriam estar, um deles é a Reserva Natural do cavalo do Sorraia, em Alpiarça, e outro é a Quinta do Pisão, em Cascais. Como os cavalos são originários de um grupo inicial, enfrentam um grave problema, que é a sanguinidade, ou seja, todos ou quase todos os cavalos do Sorraia pertencem à mesma família, e durante a reprodução podem nascer potros com deficiência ou haver abortos, havendo assim problemas de saúde nos cavalos, ou no pior cenário não existir a nascença de nenhum potro e gradualmente irem diminuindo o número de indivíduos desta população, mas até agora pelo que a Sr. Inês Silva, a responsável dos estábulos e das atividades com os cavalos da Quinta do Pisão, que nos concedeu uma entrevista, disse, é que pelo menos no Pisão ainda não houve nenhum infortúnio relacionado com a sanguinidade, ou seja, ainda não nasceu nenhum potro com alguma deficiência.
Ecossistema em que os Cavalos do Sorraia estão inseridos
O ecossistema de onde os cavalos do Sorraia provêm é o Montado alentejano, mas na Quinta do Pisão, estes encontram-se num ecossistema mais montanhoso. Por isso perguntámos à Sr. Inês Silva se influenciava os cavalos, e esta disse-nos o seguinte “Os Sorraias são cavalos de planície, aqui na Quinta do Pisão, não é propriamente planície não é? Eles conseguem-se adaptar bem, claro que na altura do verão em que há menos pasto eles vão-se a baixo fisicamente, mas nós compensamos com feno e ração, mas sim eles são cavalos de planície, e não é aqui propriamente o melhor sítio para eles, mas com a nossa ajuda, dá. ”, ou seja, devido às suas características físicas, estes cavalos conseguem adaptar-se aos diferentes ecossistemas em que estão, na Quinta do Pisão os tratadores, é que para assegurar que estão bem nutridos dão-lhes alimentos, mas eles conseguiriam sobreviver, a passar um pouco de fome, sem ele.
Contexto geológico da Quinta do Pisão
A Quinta do Pisão encontra-se na zona de transição entre os terrenos calcários das planícies costeiras de Cascais e o maciço granítico da Serra de Sintra. Por isso, os terrenos da Quinta do Pisão são constituídos por calcários e granitos. Além destas rochas também é constituída por alguns xistos, mas em menos quantidade. Sendo assim, a Quinta do Pisão é constituída pelos três tipos de rochas existentes, rochas magmáticas (o granito), rochas sedimentares (o calcário) e rochas metamórficas (o xisto).
Cavalos do Sorraia na Quinta do Pisão
Na Quinta do Pisão, encontram-se cerca de duas dezenas de cavalos do Sorraia, estes encontram-se em regime semi-selvagem, pois no verão têm de ser alimentados, de modo a preservá-los da forma mais parecida possível ao que iriam viver se estivessem livres na natureza.
Encontram-se na zona sul da Quinta e encontram-se em conjunto com os burros de Miranda.
Estes vivem em manada, e quando nasce uma fêmea, esta continua com o grupo, e quando nasce um macho, este permanece com o grupo, e quando o garanhão se sentir intimidado por esse macho expulsa-o do grupo.
Desde que foram introduzidos na Quinta do Pisão, já nasceram vários potros, mas três deles foram abandonados pelas mães, perguntámos à responsável pelos estábulos da Quinta do Pisão, o porquê de isso acontecer, e a resposta que obtivemos foi “Nós tivemos três poldros que foram rejeitado à nascença, nós pensamos que o motivo de isso acontecer foi por eles terem nascido na altura de chuva e quando nasceram, todos eles estavam, ou dentro de uma poça de água, ou deitados na lama e que como não conseguiram se levantar logo nas primeiras horas, a mãe rejeitou-os porque pensava que eles não iriam conseguir sobreviver. Nós aí sim, vimos que isso estava a acontecer e quando a mãe foi embora aí nós agimos, pegámos neles e trouxemo-los cá para o estabulo.”.
Um desses, potros, o mais velho, que se chama Toti, apresenta uma mancha branca num dos membros. Segundo Inês Silva, para um cavalo do Sorraia ser puro, este não pode apresentar qualquer mancha branca em qualquer parte do corpo, e por isso, o Toti, não é um cavalo do Sorraia puro. Isto aconteceu, muito provavelmente devido a fenómenos genéticos, e para não dar continuidade a cavalos do Sorraia não puros, o Toti foi castrado.
Por fim, ao nível alimentar, os cavalos são uma espécie herbívora, e por isso alimentam-se de plantas, ocupando sempre o 2º nível trófico, ou seja, o nível de consumidor de primeira ordem.
Importância dos Cavalos do Sorraia no ecossistema
Esta raça de cavalos também tem uma enorme importância nos ecossistemas em que está inserida. Devido ao seu pastoreio permitem com que haja uma grande diversificação de flora, e nas épocas mais quentes, ao alimentarem-se de flora seca, ajudam a prevenir eventuais incêndios florestais.
Os cavalos do Sorraia são uma raça rara e valiosa, cuja sobrevivência depende da gestão cuidada e da prevenção da consanguinidade. Na Quinta do Pisão, vivem em liberdade e contribuem para o equilíbrio ecológico através do pastoreio e da manutenção da paisagem. Preservá‑los é garantir a continuidade de um património natural único em Portugal.
Linhagens em Perigo: A Consanguinidade que Fragiliza o Cavalo do Sorraia
Nasce o dia na Serra de Sintra, e localizada no início dela nasce também o dia na Quinta do Pisão, um parque de natureza, localizado no Parque Natural Sintra-Cascais, que tem como função a conservação de biodiversidade, agricultura biológica e sustentabilidade. Com o nascer do Sol neste local dedicado à natureza, também despertam várias espécies de animais, entre elas uma espécie de cavalos, chamada Cavalos do Sorraia.
