Por detrás do espetáculo: o desafio energético do Rock in Rio Lisboa

No dia 20 de Junho de 2026, arrancou o primeiro dia de Rock in Rio Lisboa, palco de mais de 30 artistas e performances cheias de luz e animação. Dos palcos aos stands, tudo é alimentado por enormes quantidades de energia. Esta tem como fonte duas vias, os geradores e a Rede de Energia Pública. Assim, este festival monitoriza os gastos e estuda soluções para evoluir e aumentar o uso de energias renováveis.

Dário, Assistente de Engenharia

O Rock in Rio Lisboa é um dos maiores festivais de música do país e, por isso, exige uma infraestrutura elétrica capaz de responder às necessidades de dezenas de milhares de visitantes, artistas e equipamentos. Com uma potência total próxima dos 10 megawatts (MW), equivalente ao consumo mensal de 3840 habitações ou de uma pequena vila com cerca de 10 mil habitantes, o festival procura reduzir o seu impacto ambiental sem comprometer o funcionamento dos palcos e restantes espaços de entretenimento.

Segundo Dário, assistente de Engenharia responsável pelo planeamento, projeto e acompanhamento dos fornecedores na componente elétrica, o recinto recebe energia através de duas fontes, a Rede Elétrica Pública e geradores distribuídos pelo recinto. “Tentamos evitar ao máximo a utilização dos geradores”, explica.

Projeto de energia eólica

A energia proveniente da rede é assegurada em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa, enquanto a organização estuda soluções para aumentar a utilização de fontes renováveis, nomeadamente através de projetos-piloto de energia   solar e eólica e da ampliação da rede de média tensão.

José Barreiros, Engenheiro Eletrotécnico

José Barreiros, engenheiro eletrotécnico responsável pelo planeamento da distribuição de eletricidade para os diferentes espaços do festival, explica que cerca de 55% da energia utilizada provém da Rede Elétrica Pública, cuja produção é, maioritariamente, renovável, enquanto os 45% restantes são assegurados por geradores. Os grandes palcos, considerados macroconsumidores de energia, obrigam a manter esta solução para garantir estabilidade e segurança no fornecimento elétrico.         

O consumo energético varia significativamente entre os diferentes espaços do recinto.
O Palco Mundo necessita de cerca de 4500 volts, enquanto a Tenda VIP e a Music Valley consomem aproximadamente 3000 volts, valores semelhantes aos de alguns stands. No total, a potência utilizada durante o festival ronda os 10 MW. Ainda assim, a evolução tecnológica poderá permitir mudanças nos próximos anos. José Barreiros admite que, no futuro, alguns palcos de menor dimensão poderão ser alimentados por sistemas de baterias, reduzindo gradualmente a dependência dos geradores.

Geradores existentes no recinto RIR

A sustentabilidade energética é também acompanhada através da certificação ISO 20121, norma internacional dedicada à gestão sustentável de eventos. Esta certificação obriga à monitorização do consumo de energia e das emissões de dióxido de carbono (CO₂) em todos os espaços do recinto, permitindo criar um histórico detalhado para avaliar o desempenho ambiental do festival. Além disso, os geradores utilizam HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), um biocombustível produzido a partir de óleos vegetais usados, gorduras residuais e outros resíduos biológicos, capaz de reduzir entre 60% e 90% o impacto ambiental quando comparado com o gasóleo convencional. 

Embora a imagem de um festival sustentável possa sugerir um funcionamento exclusivamente com energias renováveis, a realidade demonstra que eventos desta dimensão ainda dependem de soluções híbridas. Assim, as elevadas quantidades de energia utilizadas para abastecer palcos, stands, etc. dificultam o câmbio para um Rock in Rio alimentado totalmente por energias renováveis. Por outro lado, a aposta na expansão da rede elétrica, nas energias renováveis, na monitorização ambiental e em combustíveis menos poluentes evidencia, contudo, que o Rock in Rio Lisboa procura reduzir progressivamente a sua pegada ecológica e com sucesso, tendo em conta os relatórios das edições anteriores. 

André Manteigas, Eva Oliveira, Leonardo Sales, Pedro Gomes