Situada no concelho de Oeiras, Lisboa, Custom Circus é uma companhia de teatro transdisciplinar e artes visuais, formada por uma equipa de jovens criativos que trabalham em várias áreas, entre elas a produção audiovisual, design e criação de conteúdos digitais. A companhia dedica-se a desenvolver projetos inovadores, combinando criatividade e técnica para dar vida e personalidade às ideias, sejam elas com vídeo, imagem ou branding.
Esta instituição foi fundada em 1992 , por três amigos: Michel Alex, Rui Gago e Daniela Sousa. Inicialmente, trabalhando de forma nómada e viajando pelo mundo, apresentando os seus diversos espetáculos. Perceberam, posteriormente, que não eram esses os objetivos predestinados. Assim, em 2003 com ajuda do banco, compram o antigo Quartel Militar de Oeiras, começando assim uma nova etapa nas suas carreiras.
O trio querendo um centro com um nome diferenciado e com significado profundo, acabou por encontrar no estado espiritual nirvana, o que é um estado de paz, sabedoria e plenitude máxima, um nome que se enquadrou perfeitamente no seu objetivo para os artistas, ou seja, querem que eles consigam chegar ao seu nível máximo de espiritualidade. Passando, deste modo, de um quartel militar para um Centro Cultural chamado de Nirvana Studios.

Bicicletas no pórtico
Como o Quartel estava num estado degradado, na hora da compra, Custom Circus teve de iniciar a reconstrução conforme os seus gostos e planos. Continuando a proceder de forma alternativa, a reconstrução foi realizada gradualmente, e os materiais implementados nesta, foram todos reutilizados, contribuindo assim para a sustentabilidade ambiental. Uma das primeiras e mais impactantes estruturas para os visitantes, é o pórtico, construído com bicicletas defeituosas ou inoperacionais, oferecidas por pessoas locais.
Nos dias de hoje o Nirvana Studios possui uma certa fama e respeito dentro e fora da comunidade. Porém, nos primeiros anos, enfrentaram algumas dificuldades, destacando-se a má fama atribuída pelos moradores, visto que, não era algo habitual. Com o tempo, pensaram em possíveis soluções para se integrarem e o festival “Open Day”, é uma delas. O que hoje é considerado normal já foi visto como estranho ou polémico, até a sociedade se habituar. Este festival tem como objetivo promover a experimentação e a mistura de diferentes culturas artísticas. O público pode explorar várias atividades, como concertos, teatro, dança e exposições, num ambiente imersivo com preocupações ecológicas. Por outro lado o Nirvana Studios dá espaço a um número significativo de espetáculos, como por exemplo “Le Cabaret Rock” e “Herdeiros do Apokalipse”, e, projetos tais como o “Band box”, “Galeria Strange” e “Art Express”.
O centro cultural com o projeto “Band box” disponibiliza salas para os vários artistas, os quais podem adquiri-las por um preço determinado. No total têm 100 salas, com uma média de dois projetos, ou seja, bandas por sala e cada uma com mais ou menos quatro elementos. Cerca de 800 artistas estão a usufruir delas sem limites horários, visto que eles têm as portas abertas 24 horas por dia, todo o ano.
A análise evidencia que o Nirvana Studios apresenta fragilidades ao nível da sustentabilidade ambiental, sobretudo no consumo energético intensivo associado a equipamentos técnicos e iluminação. Verifica-se também a ausência de medidas claras de eficiência energética ou utilização de fontes renováveis. A gestão de resíduos revela-se limitada, sem referência a práticas de reciclagem ou redução de materiais descartáveis. Adicionalmente, a possível dependência de transporte individual por parte de utilizadores contribui para maior pegada carbónica. A inexistência de políticas ambientais estruturadas demonstra falta de compromisso estratégico. Assim, há necessidade de implementar medidas concretas que promovam uma atuação mais responsável e sustentável.

Os projetos do Nirvana Studios

You must be logged in to post a comment.