Serra de Carnaxide: a Luta Contra a Espécie Invasora que Esbarra nos Terrenos Privados

Na Serra de Carnaxide, trava-se uma batalha silenciosa pela flora local. O Município de Oeiras trabalha para erradicar uma espécie invasora e restaurar uma espécie de borboleta nativa, extinta na região desde os anos 80. A ação, desenvolvida com o apoio da comunidade local, enfrenta desafios devido às propriedades privadas que delimitam o território, dificultando a execução das medidas de preservação ambiental e a recuperação da fauna local.

O que é uma Espécie Invasora?

Segundo consta no Decreto-Lei 92/2019, uma espécie diz-se invasora quando a sua introdução ou propagação num determinado território ameaça ou tem um impacto negativo na diversidade biológica e nos serviços dos ecossistemas a ela associados. Ao nível da flora, a principal ameaça prende-se com a sua elevada capacidade de disseminação e competição contra as espécies autóctones.

Na Serra de Carnaxide está presente a Gomphocarpus fruticosus, conhecido como  Algodoeiro-falso, originário da África do Sul. Esta espécie arbustiva perene de até 2,5m de altura possui frutos, semelhantes a pequenos balões, que contêm inúmeras sementes com tufo de pêlos brancos, semelhante ao algodão, daí o seu nome vulgar, algodoeiro-falso. A sua reprodução é fácil, o que permite que a espécie ocupe rapidamente manchas densas, tornando-se altamente problemática para as plantas nativas. Além disso, o algodoeiro-falso liberta uma seiva tóxica para animais, incluindo o ser humano.

A presença desta planta na Serra de Carnaxide traz consequências graves para o ecossistema local. O objetivo desta intervenção não é por motivos estéticos mas devido a uma preocupação ecológica de restaurar o ecossistema original para tentar trazer de volta a Aetherie fritillary, uma espécie de borboleta nativa que se encontra extinta no concelho desde a década de 1980, segundo Fernando Esteves, Biólogo da Câmara Municipal de Oeiras.

Biólogos voluntários responsáveis pelo projeto Ecos da Natureza demonstraram como arrancar devidamente a espécie invasora.

O projeto teve início há cerca de quatro anos, mas a urgência da situação exigiu uma atividade mais intensiva nos últimos dois anos. Para solucionar o problema, a medida mais eficaz é o arranque físico da planta antes que os seus “balões” rebentem e dispersem sementes pelo ar.

Apesar de todo o esforço coletivo e do sucesso das equipas em limpar os espaços públicos da Serra de Carnaxide, existe um entrave que põe em causa todo este trabalho. Exatamente ao lado destas áreas intervencionadas, existem terrenos privados onde o algodoeiro-falso continua a crescer de forma descontrolada, ocupando grandes extensões.

Este cenário cria um obstáculo claro ao restauro da biodiversidade. De que serve limpar exaustivamente uma área se, a poucos metros de distância do local onde ocorre a ação, as plantas nos terrenos privados continuam a largar milhares de sementes que o vento facilmente transporta de volta para a Serra? Este contraste entre uma área intervencionada e o espaço privado abandonado mostra que a erradicação de uma espécie invasora exige mais do que apenas a boa vontade da Câmara Municipal de Oeiras, é necessária uma cooperação entre a Autarquia e proprietários para que a recuperação da flora local seja totalmente eficaz.

 

Kasper Withrow, Rita Sousa, Isabela Astorga, Pedro Santos, Leonor Lopes