Uma viagem pelo mundo marinho no Aquário Vasco da Gama

O Aquário Vasco da Gama, localizado na zona de Oeiras, é um dos aquários mais antigos da Europa e um importante espaço dedicado ao estudo e preservação da vida marinha. Com cerca de 300 espécies, este local combina história, ciência e educação ambiental, atraindo visitantes de todas as idades.

O Aquário Vasco da Gama, situado no concelho de Oeiras, em Lisboa, está inserido numa área de fácil acesso e é bastante frequentado. O aquário é um ponto de interesse tanto para turistas como para estudantes ou até pessoas locais. Além disso, está próximo de outros locais históricos e culturais, o que contribui para o seu valor no contexto educativo e turístico da cidade. É um dos Aquários mais antigos da Europa ainda operacional, tendo assim cento e vinte e sete anos.

Exemplar de lula-gigante

A origem deste espaço está ligada à grande paixão do rei D. Carlos I pelo mar e pela vida marinha. Fascinado pela oceanografia, o rei dedicou-se ao estudo dos oceanos e chegou mesmo a capturar e observar diversas espécies marinhas. Após a sua morte, essas espécies e coleções foram preservadas e integradas no Aquário Vasco da Gama, dando origem a um espaço que combina história e ciência, e que até hoje reflete o seu interesse pelo conhecimento dos mares.

Lá é possível observar cerca de 300 espécies diferentes, que incluem animais de água doce e de água salgada. Entre as mais importantes destacam-se o bacalhau, segundo Marco Ferreira “os portugueses consomem muito bacalhau, por esse motivo o bacalhau tem vindo a diminuir ao longo dos anos”. Também o peixe-diabo (Himantolophus), vários tubarões e raias, bem como espécies associadas aos recifes de coral. Também é possível encontrar animais de maior dimensão, como o cachalote, e diferentes tipos de lulas, incluindo a impressionante lula-gigante (Architeuthis). Tal como o nome indica, ela apresenta grande porte, por exemplo a lula exposta no museu alcançou os oito metros de comprimento, mostrando a enorme diversidade e dimensão da vida marinha.           

exemplar de bacalhau (foto superior) e ovos de tubarão (foto inferior)

Num contexto em que os oceanos enfrentam pressões crescentes, desde a poluição à perda de biodiversidade, instituições como o Aquário Vasco da Gama assumem um papel que vai além da exposição de animais ao público. Para muitos investigadores e educadores, os aquários podem funcionar como espaços de sensibilização ambiental, mas também como centros de investigação e conservação de espécies ameaçadas.

Um dos desafios atuais prende-se com o número      crescente de espécies em risco de extinção, incluindo várias espécies de peixes de água doce portuguesas. Em alguns casos, a solução passa pela reprodução ex situ, ou seja, fora do habitat natural. Este processo permite retirar um número reduzido de indivíduos da natureza, reproduzi-los em ambiente controlado e, posteriormente, libertar um número maior no meio natural. No entanto, Marco Ferreira, trabalhador do Aquário, diz que “esta estratégia só é eficaz se forem também resolvidos os problemas que colocaram essas espécies em risco, como a degradação dos habitats ou a poluição.”

Apesar das vantagens, manter espécies em cativeiro pode levar a alguns problemas, no sentido em que nem todos os animais se adaptam bem a aquários, e o stress pode afetar o seu comportamento ou saúde. Por isso, ao longo do tempo, muitas instituições têm revisto as espécies que mantêm em exposição, procurando privilegiar aquelas que se adaptam melhor às condições existentes. Outro fator que pode influenciar o bem-estar dos animais é o comportamento dos visitantes. Situações aparentemente inofensivas, como bater no vidro dos aquários ou utilizar flash para fotografias, podem provocar stress nas espécies. Por esse motivo, os aquários investem cada vez mais na sensibilização do público para a importância de respeitar certas regras durante as visitas. 

Para além dos tanques visíveis ao público, há também um trabalho científico que ocorre nos bastidores do aquário Vasco da Gama, não visíveis para o público. Os laboratórios desempenham um papel fundamental na análise da qualidade da água e na produção de plâncton, um elemento essencial na base da cadeia alimentar marinha. A cultura de microalgas e outros organismos microscópicos permite alimentar várias espécies mantidas em aquário e, ao mesmo tempo, apoiar estudos científicos.

Num mundo onde os oceanos enfrentam cada vez mais ameaças, como a poluição e a perda de biodiversidade, espaços como o Aquário Vasco da Gama assumem um papel fundamental na sensibilização e conservação das espécies. Para além de permitir o contacto direto com a vida marinha, contribui também para a investigação científica e para a educação das futuras gerações, reforçando a importância de proteger os oceanos.

Eva Oliveira, Lara Ribeiro, Leonardo Sales, Pedro Gomes, Salomé Patiño